Expatriação

 
Quando deixamos o Brasil, muitas peculiaridades se apresentam que podem nos levar a um estado de perplexidade, admiração, o chamado de choque cultural. O choque cultural não diz respeito somente ao choque entre culturas, mas ao entrar em contato com uma cultura tão diferente nos chocamos com os nossos próprios valores e costumes. A princípio, tentamos ver e classificar as pessoas lendo a realidade social, na qual estamos agora inseridos, usando os mesmos óculos da cultura brasileira. Mas é claro que não funciona, ao usarmos estas lentes temos uma visão míope que só nos causa mais perplexidade.

Outras vezes nos identificamos na diversidade. Nos vemos tão iguais ao que é tão diferente, que nos espanta e nos assusta. Como uma brasileira pode ser igual a uma indiana ou a uma árabe? A resposta parece simples mas o processo é complexo: nos identificamos pela essência humana e pelo encontro de humanidades. Somos humanos, amamos e sofremos indiferente de nossas culturas e apesar de nossas culturas.

O processo de adaptação em um país diferente não é fácil e temos que ter claro de que não existe imigração sem medo. Porém, se nos propusermos enxergar o presente, sem chorar ou se desesperar por aquilo e aqueles que deixamos no Brasil, e sem a ansiedade de um tempo futuro e que ainda não existe, que pode ou não nos levar de volta ao nosso país, teremos uma grande oportunidade: Crescimento!

Quando mudamos para um outro país temos a singular oportunidade de nos desenvolver, de nos reinventar, de nos modificar, de aprender. Crescer em vários aspectos: em uma nova cultura, em uma nova língua, pessoalmente, familiarmente, profissionalmente. Muitas vezes nosso olhar se estabelece e se fixa no que perdemos e não no que estamos ganhando. Isso pode nos trazer grandes sofrimentos psíquicos e podemos deixar passar uma grande oportunidade de desenvolvimento. O processo de adaptação exige tempo, aos poucos vamos nos aprofundando na cultura do novo país, fazendo novos amigos, buscando referencias na comunidade brasileira e estabelecendo uma comunicação mais efetiva e gratificante com os nossos amigos e parentes que ficaram no Brasil. E, assim, aos poucos, vamos nos inserindo. As motivações de ir para um país estrangeiro, diferente do Brasil, são muitas e diferentes para cada um de nós, mas com certeza todos nós estamos compartilhando uma oportunidade única de desenvolvimento e de crescimento.

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Profa. Dra. Claudia Stella | Psicóloga - CRP: 06/40811

 

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